Páginas

21 setembro 2009

Apicultura no BRASIL - Grande Negócio

A partir de 1957, quando começaram os primeiros experimentos com abelhas africanas no país, a atividade apícola experimentou um importante salto de desenvolvimento e começou a se tornar a atividade principal para muitos. Inicialmente rejeitadas em função de sua agressividade, as abelhas foram cruzadas com as espécies mellifera, transmitindo à estas uma série de qualidades desejáveis como a resistência às doenças e a alta capacidade de produção de mel.

Com o passar do tempo, a progressiva organização de grupos de produtores, e a transferência de conhecimentos técnicos entre estes foi contribuindo para a profissionalização da atividade, dando origem à formação de núcleos produtivos altamente especializados, que hoje são capazes de elaborar produtos bastante diferenciados.


Produtos relacionados à apicultura excenciais para a prática do profissional:










Desde há algum tempo que tenho vindo a trocar mail's com um apicultor brasileiro do Estado de S. Paulo e que conheci no montedomel.
Pedi-lhe que me enviasse fotos da sua exploração e me falasse um pouco da sua apicultura, para que todos pudéssemos conhecer a forma como os nossos irmãos do outro lado do Atlântico convivem com as abelhas.

Contou-me que não explora o mel, ou pelo menos da mesma forma que o fazemos no nosso país. Prefere a comercialização em favo, é mais rentável, menos trabalhosa e o investimento mais suave. Interessante o pormenor de adicionarem óleo de Soja à cera durante a moldagem, o que a torna mais macia ao mastigarmos o favo.

O mel vendido em quantidade rende pouco, ou melhor, rende pouco para o apicultor, afinal não partilhamos apenas a língua...
Percebi que a apicultura no Brasil é vivida com muita poesia e sobretudo com muita dedicação. O Carlos Correa dedica-se à colecta de pólen, usando para o efeito umas curiosas armadilhas internas colocadas sob a colmeia.

Faz imenso sentido, os nossos equipamentos de colheita de pólen, exteriores, pouco serviriam numa região tropical onde chegam a haver chuvadas de hora a hora.
Para maximizar a colheita, o Carlos alimenta artificialmente as colónias durante esta fase, para compensar o pólen que lhes é subtraído. Os alimentadores são colocados lateralmente na colmeia e com acesso pelo interior. Um aspecto curioso: fora da época de colecta daquele produto, e para habituar as abelhas, coloca um “coxo” de farinha no exterior. Confessou-me que acha imensa graça às abelhitas que pousam ou “caem” na farinha e regressam à colmeia todas brancas.
Quanto ao processamento pós-colheita do pólen, montou um curioso (mas muito funcional) equipamento, que lhe permite secar o dito produto e separá-lo em três tamanhos. Bastou-lhe para isso um vulgar secador de cabelo e uma série de tubos e ligações: por “meia dúzia” de Reais.

Um secador de pólen, em Portugal, ronda os 1.500,00€ e não selecciona os grãos.
Falou-me ainda numa doença a que chamou “doença da pupa” que pelos sintomas aparenta a nossa micose, e da qual apresento a seguinte imagem:

A doença está a causar-lhe grandes baixas nos efectivos, apesar dos esforços para a controlar.
Gostava que o Brasil fosse aqui mais perto, seria interessante visitar-mos essas explorações apícolas, tal intercâmbio havia de ser muito proveitoso para ambas as partes. Mas para um português quando pensa no Brasil, creio que lhe ocorre tudo menos a apicultura...

Veja o vídeo que abrange o negócio:


0 comentários:

Postar um comentário